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Por que esquecer é uma função normal da memória - e quando se deve ficar preocupado

  
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Por que esquecer é uma função normal da memória - e quando se deve ficar preocupado

Quanto mais tempo vivemos, mais experiências temos e mais informações temos para lembrar. — Foto: Getty Images via BBC

Esquecer-se de coisas no dia a dia pode ser um pouco irritante ou, à medida que envelhecemos, um pouco assustador. Mas é parte da função normal da memória - permitindo-nos seguir em frente ou abrir espaço para novas informações.

As nossas memórias não são, na verdade, tão confiáveis quanto a gente pensa. Mas que nível de esquecimento é normal? Tudo bem confundir os nomes dos países, como o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez recentemente? Vamos analisar as evidências.

Quando nos lembramos de algo, nossos cérebros precisam aprender a memória (codificar), mantê-la segura (armazenar) e recuperá-la quando necessário (recuperar). E o esquecimento pode ocorrer em qualquer parte desse processo.

Ao receber informação sensorial pela primeira vez, o cérebro não consegue processar tudo. Assim, usamos nossa atenção para filtrar as informações para que o que é importante possa ser identificado e processado.

Isso significa que, quando estamos codificando nossas experiências, estamos codificando principalmente aquilo em que estamos prestando atenção.

Quando alguém se apresenta em um jantar enquanto prestamos atenção em outra coisa, não codificamos o nome. É uma falha de memória (esquecer), mas é totalmente normal e bastante comum.

Hábitos e estrutura, como sempre colocar as chaves no mesmo lugar para que não tenhamos que codificar sua localização, podem nos ajudar a contornar o problema.

Ensaiar também é importante para a memória. As memórias que mais duram são aquelas que ensaiamos e recontamos muitas vezes (embora muitas vezes adaptemos a cada releitura e, provavelmente, nos lembremos do último ensaio em vez do evento real em si).

Na década de 1880, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus ensinou a um grupo de pessoas sílabas sem sentido, que elas nunca tinham ouvido antes, e analisou o quanto lembraram delas ao longo do tempo. Ele mostrou que, sem ensaio, a maior parte da nossa memória desaparece dentro de um ou dois dias.

No entanto, se as pessoas ensaiassem as sílabas repetindo-as em intervalos regulares, o número de sílabas que poderiam ser lembradas por mais que apenas um dia aumentou sensivelmente.

Mas essa necessidade de ensaio pode ser outra causa do esquecimento diário. Quando vamos ao supermercado, podemos codificar onde estacionamos o carro, mas quando entramos na loja, estamos ocupados ensaiando outras coisas que precisamos lembrar (nossa lista de compras). Como resultado, podemos esquecer a localização do carro.

O que nos revela outra característica do esquecimento: podemos esquecer informações específicas, mas lembrar da essência.

Quando saímos da loja e percebemos que não lembramos onde estacionamos o carro, provavelmente podemos lembrar se era à esquerda ou à direita da porta da loja, no limite do estacionamento ou mais para o centro.

E, assim, em vez de ter que percorrer todo o estacionamento até encontrá-lo, podemos fazer a busca em uma área relativamente definida.

Hábitos e estrutura, como sempre colocar as chaves no mesmo lugar, podem ajudar a evitar alguns pequenos esquecimentos do dia a dia — Foto: Getty Images via BBC

O impacto do envelhecimento

À medida que as pessoas envelhecem, elas se preocupam mais com a memória. É verdade que nosso esquecimento se torna mais pronunciado, mas isso nem é sinal de problema.

Quanto mais tempo vivemos, mais experiências temos e mais temos a lembrar. Não só isso, mas as experiências têm muito em comum, o que significa que pode se tornar complicado separar esses eventos em nossa memória.

Se você só passou férias na praia na uma vez, você vai se lembrar com grande clareza. Agora, se você já foi de férias para a muitas vezes, visitou diversas cidades em momentos diferentes, lembrar se algo aconteceu na primeira vez em Barcelona ou na segunda, ou se seu irmão estava nas férias em Maiorca ou Ibiza, torna-se mais desafiador.

A sobreposição de memórias, ou interferência, atrapalha a recuperação de informação. Imagine arquivar documentos no seu computador. Ao iniciar o processo, você tem um sistema claro, em que saberá onde encontrar cada documento que guardar.

Mas à medida que mais e mais documentos entram, fica difícil decidir a qual das pastas ele pertence. Você também pode começar a colocar muitos documentos em uma pasta porque todos eles estão relacionados a um mesmo item.

Isso significa que, com o tempo, torna-se difícil recuperar o documento certo quando precisar dele, seja porque você não consegue saber onde o colocou, ou porque sabe onde ele deve estar, mas há muitas outras coisas para pesquisar.

Mas não esquecer também pode ser perturbador. O transtorno de estresse pós-traumático é um exemplo de uma situação em que as pessoas não conseguem esquecer. A memória é persistente, não desaparece e muitas vezes interrompe a vida diária.

Pode haver experiências semelhantes com memórias persistentes no luto ou em casos de depressão, condições que podem dificultar o esquecimento de informações negativas, quando esquecer seria extremamente útil.

Esquecer não necessariamente afeta a tomada de decisão

Esquecer-se de coisas é comum, e à medida que envelhecemos isso se torna mais comum. Mas esquecer nomes ou datas, como Biden fez, não necessariamente prejudica a tomada de decisões. As pessoas mais velhas podem ter conhecimento profundo e boa intuição, o que pode ajudar a neutralizar tais lapsos de memória.

Claro que, em alguns casos, esquecimentos podem ser sinal de um problema maior, e conversar com um médico pode ser necessário. Fazer as mesmas perguntas sempre é um sinal de que esquecer é mais do que apenas um problema de distração quando tentava codificar a informação.

Da mesma forma, esquecer como circular em ambientes muito familiares é um sinal de que você está com dificuldade para usar pistas do ambiente para lembrar de como se locomover. E embora esquecer o nome de alguém no jantar seja normal, esquecer como usar talheres não é.

Em última análise, esquecer não é algo a se temer - em nós ou nos outros. Costuma ser um mau sinal quando em casos extremos de esquecimento.

**Este artigo foi publicado no The Conversation e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons.

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“Estou a atingir o meu limite, já perdi 14 quilos, já não me aguentarei muito mais tempo. Já está complicado para mim”, admitiu Josias Alves, que se encontra visivelmente debilitado.

O objetivo do protesto do militar da GNR é “não só conseguir ordenados correspondentes à condição socioprofissional”, como também protestar contra “as pressões e perseguições” de que alegadamente tem sido vítimas, disse o militar da GNR, que tem permanecido numa tenda de campismo, montada em frente à Câmara do Porto.

“É óbvio que estou aqui por minha demanda, mas também por todos eles [PSP, GNR e Guarda Prisional] e a forma como foram perseguidos”, afirmou.

Desde o dia 06 de fevereiro, há precisamente 15 dias, que o sargento Josias Alves ingere, “apenas, sumos naturais, água das pedras, que tem forte concentração de cálcio e de sódio, para manter o cérebro a funcionar, e bebida de amêndoa, para a concentração de proteínas e de lípidos”, contou.

“Todos os dias noto que já me encontro a perder capacidade cognitiva, mesmo a minha capacidade de discurso já não é a mesma, portanto, sinto que estou a ficar um bocadinho mais fraco”, sublinhou.

Admitiu desistir se “a saúde não permitir avançar mais”, ou “se, eventualmente, os políticos entenderem que está na altura de darem as respostas que há muito deviam ter dado”, disse Josias Alves, pai de um adolescente de 14 anos a quem considerou estar a dar “um exemplo de que deve lutar por aquilo em que acredita”.

“Acho possível obter as respostas que desejamos, se houver vontade e determinação política. Estão a esquecer-se que também somos votantes e que, se tivermos em conta não só aqueles que estão no efetivo, mas também os que estão na reserva, na reforma e na pré-reformas e se considerarmos as famílias, podemos ser 500 mil. Ora, isto faz pender a balança eleitoral. Se calhar, era boa ideia dizerem, claramente, quais são os planos para estes profissionais”, considerou.

Questionado pela Lusa, o sargento da GNR contou que recebe diariamente a visita do oficial de dia do Comando Territorial do Porto, encarregado de enviar o relatório diário para o comandante geral da GNR e a de profissionais do centro clínico: “Para ver se não me dá qualquer coisinha má”.

Tem também “recebido apoio do INEM, dos Bombeiros Voluntários, localizados a poucos metros da Câmara do Porto, que ainda no domingo fizeram um eletrocardiograma”, além dos colegas das diversas forças de segurança e da sociedade civil, que “têm sido incansáveis”.

À Lusa considerou ainda estar a ser vítima de “ações discriminatórias” por parte da GNR, referindo, entre outras situações, a notificação que recebeu na segunda-feira excluindo a sua candidatura ao Curso de Promoção Oficial da Classe de Sargentos, alegadamente por não ser mestre em Direito.

“Tenho mestrado em Criminologia, pós graduação e sou doutorando, em Direito, na Universidade Portucalense, estando à espera que seja marcada a defesa da minha tese. Posso dar aulas a mestrandos de Direito, mas não posso concorrer para melhorar a minha situação profissional”, disse.

Josias Alves admitiu a desvinculação da GNR, “à semelhança do que aconteceu com outros colegas”, estando a ponderar seguir outra carreira, na área do Direito, nomeadamente na docência.

Atualmente colocado no Pelotão de Apoio de Serviços, Josias Alves, 44 anos, do Marco de Canaveses, pretende com a seu protesto “alertar” a sociedade civil para o “desespero" dos profissionais da GNR, da PSP e da Guarda Prisional.

O sargento, que chegou a comandar o Posto Territorial da GNR de Aveiro, Cacia, Vila Meã e de Alpendorada e a ser coordenador da Proteção Civil de Marco de Canaveses, defende a necessidade de existir hierarquia, que julga "absolutamente necessária", mas assume ser contra a utilização da "repressão" e da "pressão tirânica” para com aqueles que lutam pelos seus direitos.

A Lusa pediu esclarecimentos sobre a situação de Josias Alves ao Comando Geral da GNR, mas, até às 13:00, não recebeu resposta.

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