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O que são os 'incêndios zumbis' que ameaçam o Canadá no inverno

  
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O que são os 'incêndios zumbis' que ameaçam o Canadá no inverno

O fenômeno aumentou em um ritmo assustador em 2024 — Foto: Arquivo pessoal/via BBC

Mesmo no auge do inverno do Canadá, as brasas da temporada recorde de incêndios florestais do ano passado permanecem.

Os chamados "incêndios zumbis" estão queimando mesmo no inverno - são brasas que continuam vivam no solo sob espessas camadas de neve. E eles crescem a um ritmo sem precedentes, aumentando os temores sobre o que o verão que se aproxima pode trazer.

As pessoas que dirigem na rodovia que passa pela cidade de Fort Nelson, na Colúmbia Britânica, no inverno, podem facilmente ver – e sentir o cheiro – as nuvens de fumaça branca fluindo do solo ao seu redor.

Sonja Leverkus, bombeira e cientista que mora na pequena cidade do nordeste da província, lembra-se de ter dirigido durante uma tempestade de neve em novembro, mas a neve não parecia branca.

Em vez disso, disse ela, era cinza-azulada por causa da fumaça no ar.

“Eu nunca tinha visto uma tempestade de neve que cheirasse a fumaça”, disse Leverkus, que mora na região há mais de 15 anos.

As nuvens de fumaça ainda eram visíveis em fevereiro, acrescentou ela, mesmo em dias extremamente frios, quando as temperaturas caíram para -40°C.

População de Fort Nelson, como Trevor Scott (foto), notou o aumento das fumaças — Foto: Arquivo pessoal/via BBC

Incêndios zumbis

A fumaça de Fort Nelson é o resultado de 'incêndios zumbis' - também chamados de 'incêndios de inverno'.

Eles são brasas sem chama que queimam lentamente abaixo da superfície e são mantidos vivos graças a um solo orgânico chamado turfa, comum nas florestas boreais da América do Norte, e a espessas camadas de neve que os isolam do frio.

Esses incêndios não são incomuns. Nos últimos 10 anos, a Colúmbia Britânica viu, em média, cinco ou seis que continuaram a arder durante os meses frios, dizem os especialistas.

Mas em Janeiro deste ano, a província registou um pico sem precedentes de 106 "incêndios zombies ativos", aumentando a preocupação entre os cientistas sobre o que estes incêndios poderão significar para a próxima época de incêndios florestais.

A maioria normalmente se apaga por conta própria antes da primavera, mas 91 ainda estão queimando na província, de acordo com dados da administração local.

Aqueles que não forem extintos até março vão gerar um grande risco quando a neve derreter e eles ficarem expostos ao ar. Os cientistas os associaram ao início precoce das temporadas de incêndios florestais.

A província vizinha de Alberta também registros um aumento nestes incêndios de inverno, com 57 focos no início de fevereiro – quase 10 vezes mais do que a média de cinco anos.

“É muito alarmante ver esta combustão contínua durante o inverno, especialmente depois da temporada recorde de incêndios florestais no Canadá no ano passado" ,diz Jennifer Baltzer, professora de biologia na Universidade Wilfrid Laurier.

Mais de 18 milhões de hectares (44 milhões de acres) de terra foram queimados por incêndios florestais no Canadá em 2023 – uma área aproximadamente do tamanho do Camboja – superando em muito a média de 10 anos do país.

A temporada foi uma das mais fatais da história recente, com vários bombeiros morrendo no cumprimento do dever.

Milhares de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas e o efeito foi sentido muito para além das fronteiras do Canadá, quando a fumaça cobriu uma grande parte dos EUA em Junho.

Essa temporada calamitosa de incêndios florestais é uma das razões pelas quais a Columbia Britânica está vendo agora um número tão alto de incêndios zumbis, diz Mike Flannigan, professor e especialista em gerenciamento de incêndios na Universidade Thompson Rivers, no Canadá.

A maioria deles são incêndios que não puderam ser totalmente apagados até o outono passado simplesmente devido à falta de recursos, disse ele.

Até o final do ano, as autoridades registraram um total de mais de 2.200 incêndios florestais na província.

Outra razão, disse o professor Flannigan, é a seca extrema que a província tem enfrentado nos últimos dois anos.

Em fevereiro, a maior parte da regiãoo estava sob níveis de seca médios a extremos, de acordo com o mapa de secas.

Assim como os "incêndios zumbis", a seca também tem sido perceptível, diz Leverkus.

Quando estava na floresta no verão passado, ela disse ter notado que um riacho que costumava fluir livremente agora é “apenas poças”.

Estas condições de seca persistiram durante o inverno. A província viu tão pouca neve que uma estação de esqui na região de South Cariboo foi forçada a fechar suas portas no início de janeiro para o resto da temporada.

Consequências das mudanças climáticas

Os "incêndios zumbis" já foram raros, mas os cientistas dizem que se tornaram mais comuns nos últimos anos devido ao aquecimento global.

Por enquanto, os "incêndios zumbis" estão sendo apenas monitorados por autoridades, diz Forrest Tower, porta-voz sobre o assunto das autoridades da província.

Ele disse que muitos deles não podem ser apagados manualmente porque a maior parte da força de combate a incêndios da província está de folga durante o período de entressafra. Eles ainda não representam um risco, disse ele.

Mas a principal preocupação é que os incêndios possam reacender se a região continuar a ter muito pouca neve ou chuva na primavera.

Se isso acontecer, ele disse que a equipe sazonal de incêndios florestais da província poderá entrar imediatamente em ação em março ou abril.

Flannigan diz que é muito cedo para prever exatamente como será a próxima temporada de incêndios, mas o que a província viu até agora “é bastante incomum”.

E sendo um ano de , que indica condições quentes e secas para o oeste do Canadá, Flannigan diz que tudo aponta para "uma primavera muito ativa”.

G7 pede à Rússia que esclareça completamente a morte de Navalny

“Nesta ocasião, prestamos também homenagem à extraordinária coragem de Alexei Navalny e apoiamos a sua mulher, filhos e entes queridos. Ele sacrificou a sua vida lutando contra a corrupção do Kremlin [presidência russa], e por eleições livres e justas na Rússia”, lê-se num comunicado conjunto das sete maiores potências mundiais, após uma reunião por videoconferência presidida pela primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni, país que detém atualmente a presidência rotativa do G7.

Meloni, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, visitaram hoje Kiev por ocasião do segundo aniversário do início da invasão russa na Ucrânia.

Na nota conjunta, os líderes do G7 apelaram a Moscovo para que “esclareça totalmente as circunstâncias que rodearam” a morte do opositor russo, bem como pediram ao Governo russo para que “liberte todos os prisioneiros injustamente detidos e acabe com a perseguição da oposição política e a repressão sistemática dos direitos e liberdades dos russos”.

“Vamos responsabilizar os responsáveis pela morte de Navalny, nomeadamente continuando a impor medidas restritivas em resposta às violações e abusos dos direitos humanos na Rússia e tomando outras medidas”, acrescentaram.

“As autoridades russas concordaram hoje em entregar o corpo do líder da oposição Alexei Navalny à sua mãe”, escreveu Kira Yarmish, porta-voz da equipa do opositor, na rede social X (antigo Twitter), acrescentando que a mãe de Navalny, Liudmila, ainda se encontra na cidade ártica de Salekhard, perto da prisão onde o filho morreu a 16 de fevereiro.

O G7 integra Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A União Europeia também está representada.

Navalny, um dos principais opositores de Vladimir Putin, morreu aos 47 anos numa prisão do Ártico, onde cumpria uma pena de 19 anos.

Os serviços penitenciários da Rússia indicaram que Navalny se sentiu mal depois de uma caminhada e perdeu a consciência.

Destacados dirigentes ocidentais, a família e apoiantes do opositor responsabilizam o Presidente russo, Vladimir Putin, pela sua morte.

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