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Mordida de aranha ou escorpião: atendimento rápido é fundamental

  
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Mordida de aranha ou escorpião: atendimento rápido é fundamental

Aumentam acidentes com animais peçonhentos e especialistas alertam para importância da rapidez no atendimento

A cada ano aumenta o número de acidentes com animais venenosos no Brasil. Eles se espalharam em áreas urbanas onde antes não eram vistos. Com essa proliferação, não demorou para as vítimas também aparecerem. E o segredo para evitar uma tragédia é a rapidez no atendimento.

O garçom e doceiro Wilker Guimarães acompanha atento a dedetização na área comum do prédio, na cidade de Praia Grande, no litoral paulista, onde percebeu um encontro mais frequente com aranhas.

Em um dia normal, depois do trabalho, ele foi para cama cedo e sentiu uma picada. “Tentei dormir, mas o latejo era muito grande na mão”, recorda.

Duas horas depois, Wilker estava recebendo um antialérgico e alta no pronto-socorro. Mas ele voltou mostrando o inchaço no dedo e foi liberado de novo. No dia seguinte, resolveu procurar outra Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Lá, a nova equipe tratou com urgência para um processo de necrose e a decisão foi amputar o dedo.

"Essa é a mão que eu carrego bandeja. É a mão que uso para fazer as coisas, também mexo com doce e salgado. Não consigo fazer um pão com essa mão”, relata Wilker.

“Eu sei que é muito recente, pelo fato de ser recente ainda tenho sensibilidade muito grande. Só que a minha vida não para. As contas não param", completa

Após a picada, a Vigilância Sanitária da cidade fez a dedetização no apartamento e as aranhas recolhidas mostram o tamanho do risco dentro da própria casa.

Perigo escondido

Escorpião escondido em pedra — Foto: Reprodução/TV Globo

Na capital paulista, a prefeitura mantém um programa de monitoramento contra animais peçonhentos. Na natureza, os bichos gostam de se esconder em buracos, pedras e troncos. Nas cidades, eles procuram locais parecidos e a recomendação é manter o mato baixo, limpar entulhos e tapar os ralos.

A principal preocupação é o escorpião, já que metade das mortes por picadas venenosas entra na conta dele. "Certa vez nós observamos um filhotinho de escorpião dentro do lustre num apartamento de terceiro andar. Ele adentrou pelo conduíte de fiação elétrica”, relata Gladstone Costa, biólogo da prefeitura de São Paulo.

As mais de 100 espécies de escorpiões encontradas no Brasil têm em média duas ninhadas por ano, mas só quatro tipos ameaçam. E um deles parece um filme de terror:

🦂 A fêmea do escorpião-amarelo nem precisa de macho para se reproduzir. Ela bota no mundo sozinha mais de 20 filhotes e é a espécie mais perigosa.

Muita gente pode achar que eles são bichos agressivos, mas os escorpiões são quase medrosos. Eles atacam as pessoas para se defender. O escorpião amarelo, por exemplo, tem hábitos noturnos e só costuma encontrar pessoas quando a gente está dormindo.

Produção de soro

Gladstone conta que, em São Paulo, após a identificação, os animais são levados para o Instituto Butantan para a produção de soro. Há mais de 120 anos, o instituto conhece na palma da mão os peçonhentos. Além dos escorpiões, o foco da atenção está em dois tipos de aranha:

🕷️ A armadeira é a mais comum de mata e não foge de briga se ameaçada.🕷️A loxosceles é a mais comum nos lares brasileiros. É pouco agressiva, quase tímida.

"Aqui a gente mantém mais ou menos uns 20 mil escorpiões que recebemos das diferentes prefeituras”, conta a diretora-técnica do Núcleo de Produção de Soro do Butantan.

A importância do rápido atendimento

O atendimento é fundamental para evitar complicações da picada de um animal peçonhento. Em Sorocaba, uma família viu como o tempo pode fazer a diferença.

Paulo tem 13 anos e foi pegar um objeto atrás da cômoda, quando sentiu a picada. Vinte minutos depois o pai apareceu com o filho na emergência de um hospital de referência da cidade. Foram três perguntas até o médico cravar: foi escorpião.

A pressa no Hospital de referência em Sorocaba é treinada. Funcionários conhecem um cronômetro regressivo: menos de uma hora e meia depois da picada, a pessoa precisa ser atendida.

Às vezes a criança pequena chora e não dá para ver a picada. A família perde tempo tentando entender o que aconteceu. Os menores de 10 anos são os mais vulneráveis.

Nesse tipo de atendimento, a orientação é não perder tempo com abertura de ficha, por exemplo.

As palestras ensinam que é água, sabão e mais nada na picada. Nem fazer torniquete, porque não segura o veneno e pode aumentar o risco de necrose.

“97% não vão receber o soro, porque vão ter apenas sintomas leves, sintomas locais e a dor é o principal deles”, conta o gestor do hospital de Sorocaba.

Aumento de casos

O Ministério da Saúde explica a curva crescente de casos pelo aquecimento global e o desmatamento: dias mais quentes e chuvosos criam ambientes mais propícios pra reprodução de peçonhentos.

A Secretaria de Vigilância em Saúde promete um aplicativo que avisaria à população os hospitais especializados. Segundo a pasta, o georreferenciamento facilita muito o usuário para acessar, no momento de tensão, a unidade de saúde mais próxima pra ser atendido.

Como a teia da aranha peçonhenta, os problemas estão interligados. Enquanto não cuidar da urbanização descontrolada, do aquecimento global, o ser humano ainda vai suar frio.

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Médicos em formação vão tratar doentes graves ou sem posses que perderam dentes

O diretor da Clínica Universitária de Estomatologia da Unidade Local de Saúde (ULS) Santa Maria, Francisco Salvado, disse à Lusa que a iniciativa se destina, sobretudo, a doentes cujas características os impedem de ser tratados em unidades de saúde privadas.

“O tratamento com implante é sobretudo feito nas instituições privadas, embora nas instituições públicas existam alguns doentes que têm indicação para fazer esse tratamento, e as instituições públicas responsabilizam-se pelo pagamento”, adiantou o também professor da Faculdade de Medicina de Lisboa (Cirurgia de Cabeça e Pescoço).

Segundo Francisco Salvado, são pessoas com doenças como cancro, diabetes grave, imunodeficiências, mas também doentes cujas dificuldades económicas os impedem de chegar a este tipo de tratamento e que foram avaliados “como necessitando urgentemente de reabilitação oral”, nomeadamente para se alimentarem.

Os médicos envolvidos na iniciativa estarão a receber formação em implantologia, incluindo cirurgia e reabilitação oral.

Na formação está envolvido todo o corpo clínico (cerca de 20 especialistas) do Serviço de Estomatologia (Clínica Universitária de Estomatologia), integrado na Faculdade de Medicina de Lisboa.

“É uma parceria que nós fazemos entre a ULS Santa Maria e a Faculdade de Medicina”, disse Francisco Salvado, explicando que a ULS fornece as instalações e o capital humano e a faculdade de Medicina “o caráter científico, o capital humano científico, algumas instalações e, sobretudo, fornece a credibilidade para uma formação certificada”.

A formação é feita para médicos estomatologistas e médicos dentistas que se candidataram oficialmente à Faculdade de Medicina, tendo sido selecionados apenas 12 alunos, apesar de ter havido “bastante mais candidatos”, para que “o ensino seja muito apoiado”.

Além das aulas teórico-práticas, há uma parte clínica “muito importante” que é feita na Clínica Universitária de Estomatologia que implica “um acompanhamento muito próximo, até porque estes doentes têm características especiais”.

Sobre quantos doentes serão abrangidos, Francisco Salvado estimou que sejam cerca de 80, porque tem de se verificar, através de alguns exames, se podem fazer este tipo de tratamento com “toda a segurança”.

A parte teórica da formação começou em janeiro e a parte clínica com os doentes será a partir de finais de março, apontou.

Relativamente a custos para os doentes, explicou que na maior parte dos casos será uma comparticipação simbólica no material que é utilizado, uma vez que não está previsto no Serviço Nacional de Saúde uma comparticipação total.

Francisco Salvado disse esperar que esta formação seja “o primeiro passo” para que os doentes com estas características “possam no futuro ser tratados em todos os serviços de estomatologia” que lamentou serem poucos.

“Só os grandes hospitais é que têm serviços diferenciados de Estomatologia, mas eu penso que no futuro, e sobretudo com a nova atenção que se dá à saúde oral, provavelmente, haverá em outros hospitais novos serviços de Estomatologia, como já houve anteriormente e que foram depois sendo abandonados”, rematou.

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