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Ex-ministro José Dirceu é internado com pneumonia em SP

  
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Ex-ministro José Dirceu é internado com pneumonia em SP

José Dirceu — Foto: Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado federal () foi internado no Hospital Sírio-Libanês com pneumonia na segunda-feira (26), segundo boletim médico.

"Ele encontra-se estável e não tem previsão de alta. O paciente está sob os cuidados do Prof. Dr. Roberto Kalil Filho", informou o comunicado do hospital da capital paulista.

Em fevereiro do ano passado, Dirceu também havia sido hospitalizado. Na ocasião, , após ter sido submetido a um procedimento neurocirúrgico.

Ele havia apresentado um quadro de hematoma subdural, geralmente causado por um ferimento na cabeça forte o suficiente para estourar os vasos sanguíneos.

Entenda a escalada da crise diplomática entre Brasil e Israel

Governo israelense declara Lula ‘persona non grata’; presidente convoca de volta o embaixador em Tel Aviv

A crise diplomática entre e desencadeada por uma declaração do presidente ganhou dimensão maior nesta segunda-feira (19), em uma sucessão de atos simbólicos de ambos os lados.

O governo israelense submeteu o embaixador brasileiro em a uma reprimenda pública. Em seguida, declarou Lula “persona non-grata”. Ou seja: pessoa que não é bem-vinda em Israel. Em resposta, horas depois, o presidente Lula convocou o embaixador Frederico Meyer de volta ao Brasil.

O presidente Lula encerrou no domingo (18) uma viagem de cinco dias ao continente africano. Antes de embarcar para o Brasil, deu uma entrevista para a imprensa na capital da Etiópia. O presidente foi questionado sobre o envio de ajuda financeira à agência da para os refugiados palestinos. Lula criticou os países que interromperam o financiamento para o órgão depois das denúncias de que integrantes da agência tiveram envolvimento no ataque terrorista de 7 de outubro, quando o Hamas matou 1,2 mil pessoas e sequestrou mais de 200. Desde o início da reação israelense, mais de 29 mil pessoas morreram em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.

Lula disse que o que acontece na não é uma guerra, e, sim, um genocídio.

“É muito engraçado. Quando eu vejo o mundo rico anunciar que está parando de dar a contribuição para a questão humanitária aos palestinos, eu fico imaginando qual é o tamanho da consciência política dessa gente e qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que na Faixa de Gaza não está acontecendo uma guerra, mas um genocídio?”, questionou.

O presidente também comparou a ofensiva de Israel ao Holocausto, quando o regime nazista de Adolf Hitler exterminou 6 milhões de judeus.

“Sabe o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus. Então, como é possível que a gente possa colocar um tema tão pequeno... Você deixar de ter ajuda humanitária? O Brasil condenou o Hamas, mas o Brasil não pode deixar de condenar o que o Exército de Israel está fazendo na Faixa de Gaza”, afirmou.

Nas horas seguintes à declaração do presidente brasileiro, as autoridades israelenses reagiram com indignação.

O primeiro-ministro classificou as palavras de Lula como vergonhosas e graves.

"Trata-se de banalizar o Holocausto e de tentar prejudicar o povo judeu e o direito de Israel de se defender. Comparar Israel ao Holocausto nazista e a Hitler é cruzar uma linha vermelha. Israel luta pela sua defesa e pela garantia do seu futuro até à vitória completa e irá fazê-lo ao mesmo tempo que defende o direito internacional. Decidi, com o chanceler Israel Katz, convocar imediatamente o embaixador brasileiro em Israel para uma dura conversa de repreensão", escreveu.

Ultrapassar uma linha vermelha na linguagem diplomática é quando algum país faz algo tido como inaceitável por outro e muda o futuro das relações bilaterais.

Também no domingo (18), durante um evento em , Benjamin Netanyahu se manifestou sobre as declarações de Lula. Disse que o presidente brasileiro desonrou a memória de 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas e demonizou o Estado judeu.

“Hoje, o presidente do Brasil, ao comparar a guerra de Israel em Gaza contra o Hamas, uma organização terrorista genocida, ao Holocausto, presidente Silva desonrou a memória de 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas e demonizou o Estado judeu, como o mais virulento antissemita. Ele deveria ter vergonha de si próprio”, afirmou.

No Brasil, instituições que representam a comunidade judaica criticaram o presidente Lula. A Confederação Israelita do Brasil e o Instituto Brasil-Israel afirmaram que as declarações foram "uma distorção perversa da realidade" e "um erro grosseiro que inflama tensões e mina a credibilidade do governo brasileiro como um interlocutor pela paz".

No início da noite de domingo (18), a Secretaria de Comunicação Social do governo divulgou uma nota afirmando que "o presidente Lula condenou desde o dia 7 de outubro os atos terroristas do Hamas. O fez diversas vezes, e se opõe a uma reação desproporcional e ao sofrimento de mulheres e crianças na Faixa de Gaza".

Nesta segunda-feira (19), o ministro das Relações Exteriores de Israel chamou o embaixador do Brasil para uma reprimenda oficial, uma expressão usada quando há um desentendimento diplomático entre países e um deles é chamado para se explicar. A chamada fugiu do protocolo diplomático.

Em vez de ser no , como normalmente acontece, o embaixador brasileiro Frederico Meyer foi chamado para a reunião no Yad Vashem, memorial criado em 1953, em Jerusalém, para lembrar a história do Holocausto.

"Convoquei o embaixador do Brasil em Israel para Yad Vashem, o local que demonstra, mais do que qualquer outro, o que os nazistas e Hitler fizeram aos judeus, incluindo a membros da minha própria família", escreveu o chanceler israelense.

No fim da reunião, Israel Katz deu uma entrevista para a imprensa ao lado do embaixador brasileiro e anunciou que Lula seria “persona non grata” em Israel até que pedisse desculpas.

“Gostaria de informar ao presidente Lula, em meu nome e dos cidadãos de Israel, que não perdoaremos e que ele é ‘persona non grata’ em Israel até que se retrate e peça desculpas por suas palavras”.

Segundo o Itamaraty, a expressão diplomática “persona non grata” é um instrumento jurídico amplamente reconhecido e utilizado nas relações internacionais; é prerrogativa que os Estados possuem para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo em seu território - mas não equivale à expulsão.

Lula durante entrevista coletiva no domingo (18) em Adis Abeba, na Etiópia. Fala que comparou a morte de palestinos ao Holocausto foi repudiada pelo governo de Israel — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Crise diplomática

A decisão de Lula de convocar o embaixador em Israel de volta ao Brasil foi anunciada depois de uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada.

Menos de 12 horas depois de desembarcar em , o presidente Lula já estava recebendo ministros no Palácio da Alvorada. Uma reunião a portas fechadas para tratar da crise diplomática. Três ministros participaram: , das Relações Institucionais; Paulo Pimenta, da Comunicação Social; e , das Relações Exteriores - de forma remota. Além do assessor especial e conselheiro do presidente sobre política internacional, .

O vice-presidente, , se manifestou em São Paulo.

“Em relação à colocação do presidente Lula, eu acho que é clara a sua posição. De um lado, deixou claro que a ação do Hamas foi uma ação terrorista. Isso eu ouvi dele em vários pronunciamentos. E, de outro lado, que nós precisamos de paz. Aliás, o Brasil é um país que não tem litígio com ninguém, e promotor da paz. O que se quer é que se busque, se acelere, aí a tarefa da ONU, dos organismos multilaterais, de todos poderem ajudar para se buscar um entendimento que poupe vidas de crianças, de pessoas, enfim, que têm mais dificuldade”, declarou.

A resposta oficial do governo brasileiro coube ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Em nota, já na tarde desta segunda-feira (19), o ministério declarou que:

“Diante da gravidade das declarações desta manhã do governo de Israel, o ministro Mauro Vieira, que está no para a reunião do G20, convocou o embaixador israelense Daniel Zonshine para que compareça ao Palácio Itamaraty, no Rio, e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, que embarca para o Brasil amanhã”.

Zonshine se encontrou com Mauro Vieira no fim no dia, no Rio de Janeiro.

Segundo o Itamaraty, o ministro manifestou surpresa e desconforto com o tratamento dado ao embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer. O governo brasileiro ressaltou que a reunião com o chanceler israelense foi em um lugar público, em hebraico, idioma que Meyer desconhece, e com termos inaceitáveis. O Itamaraty disse ainda que o tratamento dado ao embaixador não ajuda as relações entre os dois países.

Depois do anúncio, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, voltou a dizer que Israel não mudará de ideia sobre o status do presidente Lula.

"Até que o presidente Lula peça desculpas e retrate sua incitação antissemita contra o povo judeu e Israel, ele será uma personalidade não grata no Estado de Israel".

A crise externa teve repercussão no Congresso brasileiro. A oposição se manifestou. Em nota, a frente evangélica disse que "respeita a Presidência da República, mas entende que verbalizações desequilibradas, além de não representarem o pensamento da maioria dos brasileiros, comprometem a política internacional de forma desnecessária”.

O senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, criticou a declaração.

“O discurso do presidente Lula fazendo a comparação entre o Holocausto ao que está acontecendo na Faixa de Gaza e Israel é completamente equivocado e nos envergonha. Nada pode ser comparado ao Holocausto e a Hitler”, afirmou.

Em artigo publicado no site UOL, Marcos Knobel, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, e Daniel Kignel, diretor jurídico da instituição, declararam que:

“Há vergonhas que são insuperáveis, como, por exemplo, ser a única nação do planeta a ser exaltada por um grupo terrorista, em manifestação oficial, por conta de uma fala de seu presidente”.

Foi uma referência a uma postagem em que o Hamas exalta, em uma rede social, a declaração de Lula

A historiadora e professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, Monique Sochaczewski, considerou a declaração de Lula um erro.

“A questão do Holocausto, o assassinato sistemático de 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de crianças, no contexto da Segunda Guerra Mundial, é muito específico e é muito sensível. Obviamente, há de se fazer críticas, e o mundo todo está fazendo, ao que está acontecendo agora em Gaza. Precisa-se falar sobre isso e precisa haver um cessar-fogo e uma solução imediata para essas guerra entre Israel e o Hamas. Mas fazer esse tipo de comparação gerou uma situação muito complexa sobretudo entre o Brasil e Israel que não estava no radar", diz.

Rubens Ricúpero, ex-embaixador nos Estados Unidos, na Itália e nas Nações Unidas, afirmou que a fala de Lula fere a tradição diplomática brasileira de neutralidade e diálogo.

“Não é só uma questão pessoal, ele compromete a própria posição do Brasil. Você vê, esse ano, ele vai presidir o grupo dos 20, que é a mais importante reunião das maiores economias aqui no Brasil. Para isso, ele precisa se cercar do respeito, e o respeito se adquire como? Com serenidade, com equilíbrio, que é a marca da diplomacia brasileira. Há uma maneira fácil de corrigir, que é pedir desculpas e procurar, no futuro, ter cuidado, procurar ser equilibrado. Porque, afinal de contas, nós queremos que esse problema encontre uma solução pacífica. E, cedo ou tarde, a única solução é que haja uma paz entre Israel e os seus vizinhos”, afirma.

Na guerra conta o Hamas, o governo de Israel afirmou que vai estender a operação militar por terra em Rafah, em março, se até o início do Ramadã o grupo terrorista não libertar os reféns que ainda estão em Gaza. O mês sagrado do Islamismo começa no dia 10 de março. Mais de 1,4 milhão de palestinos se abrigaram em Rafah.

O chefe da diplomacia da União Europeia disse que todos estão preocupados com essa possível ofensiva na cidade.

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