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Entenda como a entrada da Suécia na Otan 'encurrala' a Rússia

  
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Entenda como a entrada da Suécia na Otan 'encurrala' a Rússia

Hungria aprova entrada da Suécia na Otan

A iminente entrada da na Organização do Tratado do Atlântico Norte (), uma aliança militar internacional de defesa coletiva dos países membros, encurrala a no Mar Báltico. E isso tem tudo a ver com a guerra da Ucrânia.

. Era a última das 31 aprovações que faltavam para a entrada oficial do país na aliança --todos os integrantes precisam autorizar a entrada de um novo membro.

Com a entrada da Suécia e da na aliança, o Mar Báltico está rodeado por países da Otan.

Foto de arquivo, de agosto de 2020, mostra treinamento militar da Otan na Suécia. — Foto: Antonia Sehlstedt/AP

Mas o que isso significa na prática?

Como consequência, o presidente russo alcança exatamente o que procurou evitar quando iniciou a guerra --uma expansão da Otan, disseram líderes ocidentais.

Toda a costa do Mar Báltico fará parte do território da aliança – com exceção da costa da Rússia e Kaliningrado. Ou seja, no caso de um ataque russo, por exemplo, seria mais fácil defender os países bálticos. O Mar Báltico também é estratégico do ponto de vista comercial: é uma rota de acesso marítimo aos portos de São Petersburgo e Kaliningrado, ambos na Rússia.

"Quando se trata da Rússia, a única coisa que podemos esperar é que eles não gostarão que a Suécia se torne membro da Otan", disse o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson. "O que eles farão além disso, não podemos saber. Estamos preparados para todo tipo de situação."

Em 19 de fevereiro, Thomas Nilsson, chefe do serviço de inteligência externa da Suécia, a Must, disse que "a situação [na Ucrânia, após a invasão da Rússia] continuou a deteriorar-se ao longo de 2023”.

"Com a adesão à Otan, teremos a capacidade de combater uma Rússia revanchista e imprevisível", afirmou.

Em 2023, um porta-voz da Rússia disse que a entrada da Suécia na aliança, na ocasião ainda uma possibilidade, traria consequências "negativas", e que Moscou responderia com medidas "antecipadas" e "planejadas".

Embora a Suécia tenha aumentado a cooperação com a Otan nas últimas décadas, contribuindo para operações em lugares como o Afeganistão, sua adesão está definida para simplificar o planejamento de defesa e a cooperação no flanco norte da aliança.

"A Otan ganha um membro sério e capaz e remove um fator de incerteza no norte da Europa", disse Robert Dalsjo, analista sênior da Agência de Pesquisa de Defesa Sueca, um think tank do governo.

Para ele, a Suécia era "última peça do quebra-cabeça do mapa da Otan no norte da Europa".

Com o ingresso na organização, a grande mudança está relacionada ao Artigo 5 do tratado da Otan, segundo o qual um ataque armado contra um país da organização é considerado um ataque contra todos --entre eles os Estados Unidos.

As adesões da Suécia e da Finlândia são as mais significativas da Otan desde que ela aceitou membros do Leste Europeu após o colapso da União Soviética, em 1991.

Suécia entra para Otan — Foto: g1

Suécia já estuda um eventual conflito

A Suécia já mostrou como pode ajudar na prática a Otan:

A aliança terá mais facilidade para encurralar a marinha russa no Mar Báltico e monitorar a movimentação de submarinos nucleares, que precisam manobrar no mar aberto, na região.As forças suecas, somadas, podem mobilizar cerca de 50 mil soldados.O país tem mais de 90 caças JAS 39 Gripen, da Saab, e a frota marítima tem corvetas e submarinos.

O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, também disse em janeiro que o seu país estava pronto para fornecer tropas às forças da Otan na Letônia.

32º país da aliança

Após os trâmites formais, a Suécia se tornará oficialmente o 32º membro da aliança (veja lista completa mais abaixo).

Os suecos também vão ser membros plenos do Conselho da Otan, o principal órgão de decisão da aliança, com direito de veto —como a , que segurou até então a entrada do país na organização.

Porém, Deborah Solomon, da Sociedade Sueca de Paz e Arbitragem, em entrevista à BBC, afirmou que o país pode perder a figura de pacificador e de liderança na luta pelo desarmamento nuclear. Isso porque os Estados Unidos, por exemplo, pressionaram diversos integrantes da organização para não participarem das negociações de desarmamento da ONU em 2019.

Hungria adiou aprovação por 18 meses

Para alguns analistas, o adiamento na aprovação por parte da Hungria foi uma estratégia para negociar com a União Europeia o desbloqueio de bilhões de euros em fundos que estão congelados.

Outros apontaram como motivo a proximidade do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, do presidente russo, Vladimir Putin, e do chefe de Estado turco, Recep Tayyip Erdoğan, que explicou sua relutância por motivos de segurança.

De todo modo, a maioria acredita que a visita do primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, à Hungria na semana passada acelerou as negociações. Durante a viagem, o governo húngaro anunciou a compra de quatro caças suecos.

À época, Orbán disse que os caças aumentariam as capacidades militares do país e melhorariam a participação húngara em operações militares da Otan.

No início da sessão parlamentar desta segunda, Orbán elogiou a visita de Kristersson, que contribuiu, segundo ele, para a construção de "uma relação justa e respeitosa entre os dois países" para além das "divergências de opiniões".

"A entrada da Suécia na Otan reforçará a segurança da Hungria", acrescentou.

O que é a Otan

Entenda o que é a Otan

A Otan (sigla que significa Organização do Tratado do Atlântico Norte) é uma aliança formada por 32 países, incluindo EUA, Canadá, Reino Unido e França.

A organização foi criada em 1949, no período da chamada Guerra Fria, sob a liderança dos EUA em oposição à extinta União Soviética. Durante a Guerra Fria, os países ligados aos EUA pertenciam à Otan, e a União Soviética tinha uma aliança nos mesmos moldes, o Pacto de Varsóvia.

Após a dissolução do bloco comunista, em 1991, muitos dos países que pertenceram ao Pacto de Varsóvia entraram na Otan – é o caso inclusive da Polônia, cuja capital, Varsóvia, dava nome à antiga aliança.

Desde então, a Otan passou a atuar, sobretudo, como uma aliança que zela pelos interesses econômicos dos membros, com algumas exceções, como, por exemplo, quando agiu diretamente na Líbia, no conflito que derrubou o ditador Muammar Gaddafi.

Veja a lista de integrantes da Otan:

Albânia (2009)Alemanha (1955)Bélgica (1949)Bulgária (2004)Canadá (1949)República Checa (1999)Croácia (2009)Dinamarca (1949)Eslováquia (2004)Eslovênia (2004)Espanha (1982)Estados Unidos (1949)Estônia (2004)Finlândia (2023)França (1949)Grécia (1952)Holanda (1949)Hungria (1999)Islândia (1949)Itália (1949)Letônia (2004)Lituânia (2004)Luxemburgo (1949)Macedônia do Norte (2020)Montenegro (2017)Noruega (1949)Polônia (1999)Portugal (1949)Reino Unido (1949)Romênia (2004)Turquia (1952)

Um em cada seis bebés sofre de subnutrição grave no norte de Gaza

O relatório “Vulnerabilidade Nutricional e Análise da Situação — Gaza”, realizado pela ‘Global Nutrition Cluster’ e divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), indica que, à medida que o conflito em curso na Faixa de Gaza entra na sua 20.ª semana, os alimentos e a água potável tornaram-se incrivelmente escassos e as doenças abundantes, comprometendo a nutrição e a imunidade de mulheres e crianças e resultando num aumento da desnutrição aguda.

O relatório concluiu que a situação é particularmente extrema no norte do enclave, que está praticamente sem ajuda há semanas.

Os exames nutricionais realizados em abrigos e centros de saúde no norte revelaram que 15,6% – ou uma em cada seis crianças com menos de 2 anos - sofrem de subnutrição aguda. Destes, quase 3% sofrem de emaciação grave, a forma de desnutrição que causa maior risco de vida e que coloca as crianças pequenas em maior risco de complicações médicas e morte, a menos que recebam tratamento urgente.

“Como os dados foram recolhidos em janeiro, a situação deverá ser ainda mais grave hoje”, sublinhou a UNICEF em comunicado.

Rastreios semelhantes realizado em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, onde a ajuda tem estado mais disponível, revelaram que 5% das crianças com menos de 2 anos sofrem de subnutrição aguda.

“Esta é uma prova clara de que o acesso à ajuda humanitária é necessário e pode ajudar a prevenir os piores resultados. Também reforça os apelos das agências para proteger Rafah da ameaça de operações militares intensificadas”, reforçou a UNICEF.

“A Faixa de Gaza está prestes a testemunhar uma explosão de mortes infantis evitáveis, o que agravaria o já insuportável nível de mortes de crianças em Gaza”, afirmou o diretor executivo adjunto da UNICEF para a Ação Humanitária e Operações de Abastecimento, Ted Chaiban.

Israel começou a bombardear Gaza na sequência dos ataques do Hamas no sul do território israelita, perpetrados em 07 de outubro de 2023, justificando a intervenção com a necessidade de anular as capacidades militares do Hamas.

Pelo menos 90 civis de Gaza foram mortos na última noite e dezenas ficaram feridos na sequência de bombardeamentos israelitas em diferentes zonas do enclave palestiniano.

Em Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza, onde uma ofensiva terrestre israelita é esperada nas próximas semanas, Israel bombardeou várias casas nos bairros de Khirbet al Adas e Al Shaboura, no centro da cidade.

No centro da Faixa de Gaza, pelo menos 70 pessoas foram mortas em ataques contra os campos de refugiados de Nuseirat, Maghazi e Bureij.

“Há semanas que alertamos que a Faixa de Gaza está à beira de uma crise nutricional. Se o conflito não terminar agora, a nutrição das crianças continuará a cair, levando a mortes evitáveis ou a problemas de saúde que afetarão as crianças de Gaza para o resto das suas vidas e terão potenciais consequências intergeracionais”, frisou Ted Chaiban, citado no comunicado da UNICEF

Existe um elevado risco de que a subnutrição continue a aumentar em toda a Faixa de Gaza devido à alarmante falta de alimentos, água e serviços de saúde e nutrição.

De acordo com o relatório, 90% das crianças com menos de 2 anos e 95% das mulheres grávidas e lactantes enfrentam pobreza alimentar grave — o que significa que consumiram dois ou menos grupos de alimentos num dia – e os alimentos a que têm acesso são dos mais baixos em valor nutricional.

Além disso, 95% dos agregados familiares limitam as refeições e o tamanho das porções, sendo que 64% das famílias comem apenas uma refeição por dia.

Mais de 95% dos agregados familiares admitiram ter restringido a quantidade de alimentos que os adultos recebiam, a fim de garantir que as crianças pequenas tivessem comida para se alimentar.

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